Pai: afasta de mim esse cálice!

August 1st, 2011 by Carlos

Sobre o “Dia dos Pais” conforme tema aberto pela Samantha (http://www.avidaquer.com.br):

Começo parafraseando a frase bíblica e que se tornou uma canção de Gilberto Gil e Chico Buarque, na tentativa de burlar a censura da época (anos 60 – se referia à homofonia “cale-se”).

Alerto que escrevo enfatizando traços e carregando nas cores, buscando com isso transmitir melhor a ideia, mas evidentemente o leitor poderá pensar em algum momento: – isso é exagero – e poderá estar certo.Estou considerando a maioria da população brasileira, isto é, aquela que precisa contar o dinheiro do ônibus.

Não faz muito tempo o homem “ganhava” um dia de folga, após o nascimento de seu filho, para fazer o registro do nascimento no cartório. Sei que hoje não é mais assim; ele pode faltar ao trabalho 3 dias ou uma semana! (quantos faltam “esse tempo todo”?)

Nossa sociedade legal e organizada vê o homem com a função precípua e primordial de “prover” o sustento da família. Ser pai é, então, “fugir do prejuízo”, isto é, ele se volta para suprir financeiramente a família, assume essa responsabilidade e ganha, com isso, o tradicional perfil competitivo.

A mulher vivencia o filho desde a concepção e o homem, até bem pouco tempo, via seu filho no domingo (se trabalhava também aos sábados). Como desenvolver uma relação de afeto com alguém que nos “roubou” a mulher e que mal conhecemos e, principalmente, não entendemos nem sabemos como lidar? Como desenvolver uma relação de afeto se vivenciamos relações competitivas em quase todo o tempo em que estamos acordados?

Tudo mudou, sim, em parte. Os papéis de homem e mulher se aproximaram e, com isso, a mulher perde um pouco a possibilidade de viver sob a lei do afeto caso viva em um ambiente profissional, principalmente em cargos executivos. O homem, por seu lado, aprendeu que pode também desvestir seu traje “de guerra” ao chegar em casa.

Estamos ainda em transição e isso quer dizer que estamos ainda nos adaptando aos novos papéis e respectivas funções. Há, por isso, uma gama enorme de diferenças entre os casais; alguns assimilaram bastante essas mudanças e outros nem tanto. Chamo a atenção para um perfil peculiar, bastante frequente neste momento, o “menino vadio” também descrito em uma canção de Chico Buarque:

Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê!
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é um operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê!
No caminho da oficina, há um bar em cada esquina
Pra você comemorar, sei lá o quê!

Já que nos novos papéis há a equivalência (ou igualdade como ingenuamente se pensa), alguns homens tentam alcançar esse equilíbrio não apenas sendo mais afetuosos, mas evitando o papel tradicional de pai, pois este significa “provedor”. Inconscientemente? Sim, inconscientemente.

 


ECA, Direitos da Criança!

June 27th, 2011 by Carlos

As questões que coloquei no post anterior não são bem entendidas, obviamente por culpa minha. Escrevo em alguns casos como desabafo e isso gera uma concisão no texto que permite interpretações variadas. Minha pergunta é: A que ponto nossa sociedade chegou, que os valores (e sentimentos) de pais e mães, estão priorizando outras coisas que não os filhos? Pais e mães que priorizam os filhos, exceto em casos especiais onde estão presentes patologias específicas, NÃO precisam que o “Estado” venha lhes dizer COMO cuidar das crianças.

A sociedade brasileira vem invertendo a direção da autoridade: ao invés da população dizer como o governo deve se portar é o governo que vem dizendo como as pessoas devem se portar, coisa típica das ditaduras.

Uma mãe, absolutamente inculta, sabe muito bem o cuidado que deve dedicar ao filho. É uma questão de valor. Pode sim, por não ter informação, errar quanto ao que oferece, mas nunca na prioridade.

Triste, e muito triste, é quando pais e mães acham que a prioridade é o baile de carnaval e deixam a criança presa no carro fechado enquanto dançam (fato jornalístico/policial de 2011), ou vão à praia e deixam o filho trancado no carro. Prioridades! Por isso e só por isso os Estado intervém e começa a ter sentido o ECA. Por que isso acontece?  Porque os valores da sociedade se alteraram. Por que houve essa deterioração? Não é falta de escola/informação, mas sim a informação deteriorada que é passada pela sociedade, através dos exemplos da “nata” da sociedade e pela indústria do entretenimento (principalmente a TV).

O pior desse quadro é que não reagimos no sentido de reverter isso. Uma criança mal-formada certamente vai “mal-formar”. Pense: é essa a direção que seguimos e não são leis e regras que alterarão essa nossa trajetória!

Não precisamos de um ECA assim como não precisamos de uma lei “Maria da Penha”. Precisamos sim, como disse Toni Ventura, percebermos que “Estamos Juntos” e fazermos algo efetivo ao invés de apostarmos em pretensamente novas (recorrentes) leis, regras, etc., que já existem e não são seguidas.


Direitos da Criança (prá que(m) serve?)

June 23rd, 2011 by Carlos

Admiro a retórica, mas não gosto dela. Algumas expressões tem função quase exclusivamente retórica como a famosa: – “Você sabe com quem está falando?” e outras são usadas para denegrir quem a disse, como aquela dita por um parlamentar como base de seu discurso: – “Que país é este?”, e a oposição passou a divulgar que ele não sabia em que país estava.

Direitos da criança” me lembra retórica e me leva a perguntar de forma puramente retórica:

Quem somos nós, se precisamos até mesmo definir os “direitos” de uma criança?

Quem somos, se não sabemos mais sentir as necessidades de uma criança?

Quem somos, se não nos percebemos como parte de tudo (de todos)?

Quem somos nós, se perdemos a visão de futuro; se não entendemos que sem uma criança não há amanhã?

Quem somos, se nos achamos mais importantes que nossa espécie?

Quem somos, se precisamos regulamentar os “direitos” da criança?

(blogagem coletiva)

 


Para Não Ser Preso

June 13th, 2011 by Carlos

O ensino do português mudou. Devemos nos adequar. Talvez, dentro de algum tempo, tenhamos que reaprender a falar nosso idioma. Para não ser preso por preconceito social é bom ir praticando:

  1. Caso você tenho sido roubado, vá ao banco e mande “assustar” os cheques, para que o banco não os pague.
  2. Caso você tenha sido demitido do emprego, exija o aviso “breve”. É legal e não faz mal.
  3. Se alguém ligar perguntando pelo seu marido, diga: “Ele não encontra”.
  4. Lembre-se que dois “real” é dois “real”; não desperdice o plural nem use muitos “esses” (As “mulher” já indica que é mais de uma; não é necessário dizer “as mulheres”).

Lembre-se: falar corretamente passou a ser uma faca de dois “legumes”.

Envie outras necessárias correções de linguagem para divulgarmos aqui.


Realengo, Dor, Justiça e Rejeição

April 8th, 2011 by Carlos

Há inúmeros comentários sobre a tragédia na escola Tasso da Silveira no Rio de janeiro. Ouvi até mesmo no rádio a “explicação” que a intenção do Welington era aparecer na “midia”!!! Raciocínio primário e sem nenhum fundamento.

O fato é que essa é uma tragédia esperada. Depois dos históricos atentados nos EUA, esses crimes se disseminaram e era só uma questão de tempo para “acontecer” aqui. Foi em Abril de 1999 que aconteceu o massacre na escola Columbine, no Colorado (EUA) e desde então muitos outros ocorreram.

O que eles têm em comum? Um desejo de justiça e o sentimento de rejeição.

O sentimento de rejeição é difícil de ser evitado porque, mesmo que a rejeição não aconteça de fato, objetivamente, mesmo assim o “sentimento” pode se instalar. Uma criança adotada por seus pais biológicos não serem capazes de criá-la, pode desenvolver esse sentimento. Bullying, idem. Nosso raciocínio lógico pode interpretar positivamente o fato de uma criança adotada ser criada com carinho, porém a lógica não importa nesses casos. “Não ser reconhecido” causa muita dor e frequentemente o desejo de “justiça” (reparação). Esses dois elementos ao se associarem a desequilíbrios emocionais são fatores suficientes para gerar tragédias dificilmente evitaveis.

Mães e pais conviverão com essa dor, extremamente intensa, gerada pelo distanciamento emocional presente na nossa sociedade, sem generosidade, que apesar de defender a “diversidade”, não consegue acolher o feio, o estranho (porque diferente), o menos hábil.


Fui Eu que Fiz!

February 12th, 2011 by Carlos

A Samantha Shiraishi do “Mãe com Filhos” trouxe o post: http://www.facebook.com/l/48f10QDc7EkkyeTyox8xSHFeXbw;www.samshiraishi.com/sera-que-culpa-e-a-principal-inimiga-da-mulher-que-trabalha-diadamulher/ que aborda o sentimento de culpa da mulher que troca os cuidados com filhos pela atividade profissional.

Este é um drama recente pois tem algumas poucas décadas, mas cresce ainda pois o processo de adaptação das mulheres (e homens, por consequência) às novas funções, estão em curso.

Tratei da questão da formação aqui, chamando a atenção para a necessidade de uma nova profissão: Formador (veja em “Mãe, mulher medíocre“).

No texto da Samantha parece haver uma defesa e incentivo para que as mulheres dediquem-se a uma carreira profissional e sim, sejam também mães. É assim que está acontecendo e será assim cada vez mais. Vamos considerar, no entanto, a grande massa, a população de menor renda ou mesmo a alta executiva citada no texto em questão: Há uma armadilha nessa tese e tentarei mostrá-la   »» leia o texto completo »»


Precoce? A criança é precoce?

February 3rd, 2011 by Carlos

Tratamos aqui mais de uma vez da gravidez precoce (gravidez na adolescência) e outras precocidades (antecipação da adolescência) e a atual moda da “pré-adolescência”.  Marques Casara, em seu blog, antecipa mais uma “informação” que chegará em breve até às crianças, contribuindo para as precocidades. Lamentavelmente alguns pais e mães acreditam que a precocidade “é da criança” e até mesmo se orgulham dessa precocidade, sem se darem conta do que vem a seguir.

Muitas vezes, falando sobre esse tema, surge o comentário: “são os tempos”, como se isso fosse um sinal de vanguardismo. O fato é que o custo dessa modernidade para a sociedade é muito alto e o custo para o indivíduo é altíssimo.

Leia sobre a linha de cosméticos infantís que o Wall Mart lançará em http://marquescasara.blogspot.com/2011/02/walmart-lanca-maquiagem-anti.html.


Lya Luft e suas Bobagens

January 16th, 2011 by Carlos

Na revista Veja desta semana (edição 2200) Lya Luft despeja mais uma das bobagens que costumeiramente atira sobre nós. Sobre lei e justiça, a revista destaca sua brilhante frase:

“ACREDITO FIRMEMENTE QUE SE DEVE REDUZIR A IDADE NA QUAL ALGUÉM PODE SER LEGALMENTE RESPONSÁVEL POR SEUS ATOS”

Nunca vi uma laranjeira dar pêssegos e Lya Luft coerentemente nesse artigo esbanja da sua natural incoerência, pois também escreve: “… criminosos, que deveriam ser submetidos a leis mais firmes e colocados, se for o caso, em prisões decentes onde possam trabalhar, produzir… e quem sabe voltar á sociedade regenerados”. Como eu sei que não é assim, você sabe que não é assim e Lya Luft também sabe que não é assim, ela propõe, candidamente, que peguemos (se conseguirmos), os infratores, bandidos, assassinos, sejam o que forem aos 13, 14 ou 15 anos, e coloquemos lá naquelas prisões. Aquelas que todos sabemos a que servem. Brilhante solução Lya!

Não gosto de menores drogados, não gosto de menores bandidos, também não gosto de menores sem pai, sem mãe, sem comida, sem escola, sem formação. Bem, então vamos colocá-los na cadeia, propõe Lya Luft!

Eu também, Lya, “acredito firmemente”  que colocar na cadeia um bandido de 13 ou 17 anos, não vai torná-lo mais “responsável por seus atos“. Você só conseguirá, Lya, tornar-se responsável pelos futuros atos desse mal-formado e, acredite, não serão bons atos.

Desculpe o desabafo e, se concordar, proteste escrevendo para veja@abril.com.br .


Dia das Mães:

May 4th, 2010 by Carlos

CONVERSANDO SOBRE (o futuro dos) FILHOS

No dia 7/05 (sexta) estarei na Livraria Saraiva do Shopping Ibirapuera (Mega Store), entre 19 e 22 horas.
Venha conversar sobre o desenvolvimento e formação dos filhos.
(veja ao lado “O Poder dos Pais no Desenvolvimento Emocional e Cognitivo dos Filhos”)


Não Deixe seu Filho se Transformar em um “Mini-chato”

March 3rd, 2010 by Carlos

Matéria de “A Gazeta” de Vitória (ES) de 28/02/2010

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