Terapia de Casal “Funciona”?

Terapia de casal “dá certo”?

Obviamente eu acho que sim, porém quero fazer algumas considerações sobre isso. Não podemos ver a terapia de casais como vemos uma restauração dentária, pois não estamos tratando de algo físico que pode ser manipulado com instrumentos. Dessa forma a terapia de casal “funciona” e “dá certo” em função:

 

 

 

 

- das características da pessoa que passa pelo processo, isto é, sua complexidade, expectativas, postura frente ao processo, história de vida, disposição para a mudança, etc.

- do que entendemos pelo “dá certo”, isto é, a expectativa de que soluções virão “de fora” dificultam o processo. A sensibilidade para conhecer mais de si, perceber seus processos relacionais e vislumbrar alternativas melhores é fator contribuinte.

- aceitar que não “somos” desta ou daquela forma e sim que “estamos” desta ou daquela maneira em função da nossa vivência e do vem “dando certo”. Com isso podemos vislumbrar novos horizontes e promover mudanças.

- entender que um processo de mudança dessa magnitude não se faz em curto espaço de tempo.

A psicoterapia de casal pode levar a alterações significativas no nosso padrão de relacionamento, elevando-o a níveis não vislumbrados anteriormente. Pode restabelecer vínculos fragilizados e reposicionar vínculos negativos. Pode e deve, diante da ordem social em que estamos vivendo, fazer emergir nossos sonhos e expectativas inconscientes, para reposicioná-los diante das condições objetivas nas quais vivemos.

Em função disso é que é necessário dizer que alguns casais, mesmo que tenham se beneficiado da psicoterapia, têm a sensação de que ela não “funcionou”. Esperavam mais ou outros resultados.

Apenas como curiosidade apresento alguns dados estatísticos, obviamente distorcidos pela minha ótica, sobre os processos que conduzi. Não os tome como dados indiscutíveis e gerais, pois são apenas um apanhado de um profissional em uma determinada região.

 

Casais que após terem feito o pré-diagnóstico e terem optado e agendado a primeira sessão, cancelaram o procedimento:

Cerca de 2%

Casais que desistiram do processo entre a segunda e quinta sessão:

Cerca de 3%

Casais que desistiram do processo entre a sexta e décima sessão:

Cerca de 3%

Casais que optaram pela separação durante o processo:

Cerca de 2%

Casais que, percebendo que o relacionamento tinha melhorado significativamente, reduziram seu empenho frente ao processo, faltando a sessões e/ou buscando apenas aconselhamento/orientação:

Cerca de 25%

Casais que retornaram tempos depois de terem concluído o processo:

Cerca de 3%

Casais que concluíram o processo e o avaliaram positivamente ao final: (obs.:  cerca de 3% se casaram ou formalizaram o casamento durante ou imediatamente após a terapia de casal)

Cerca de 53%

Outros:

Cerca de 9%

 

Considero, dessa forma, que a psicoterapia de casais é positiva contribuindo significativamente para a melhoria do relacionamento, porém ela é tanto mais efetiva quanto maior a disponibilidade emocional para o processo. Quando há disponibilidade apenas intelectual, o aconselhamento/orientação é mais adequado. Quando não há perseverança o processo não agrega valor.